Esse blog está em transição junto com minha relação com a prática Body&mind. Em breve, em outro link.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Diário de prática
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: PRÁTICAS CORPORAIS DE YOGA
B.K.S IYENGAR YOGA
PROFISSIONAIS
GERSON A´DDIO DA SILVA
A importância do estudo de anatomia para os praticantes de Yoga
Assim, independente do grau de precisão que os Yogis que a escreveram estavam realizando e recebendo a inspiração das posturas psicofísicas, a forma escrita de transmitir esse conhecimento para pessoas que vivem na cultura contemporânea não pôde ser incrementada com muitos detalhes.
Sabemos que o estado bionergético acionado com o asana faz com que a transmissão oral desses conhecimentos tenha importância significativa, porém, além do tempo atual não ser de fácil acesso o encontro com yogis que realizam o asana dentro de suas exigências físicas, bionergéticas e de atitude, não podemos menosprezar também a possibilidade desse novo tempo de unir o aprendizado intuitivo com o científico.
Na minha experiência pessoal, tive alguns encontros maravilhosos com músculos e ossos, graças aos conhecimentos de anatomia aplicado ao asana. Lembro de uma vez que consegue sentir perfeitamente apenas o músculo Iliopsoas, que se conecta no fêmur passa pelo quadril até se conectar em vértebras da coluna. Senti uma alegria e vontade de dizer: "Olá Iliopsoas meu nome é Murillo, prazer em conhecer sua função preciosa rumo ao hanumanasana".
Esse encontro despertou de vez meu interesse pelo aprofundamento desse estudo, pela precisão de consciencia corporal que esse conhecimento gera devido ao estímulo e orientação de concentração, o que ajuda em duas atitudes fundamentais no asana: a busca do alinhamento exigido e os cuidados na prevenção de contusões.
Acredito ser necessário muita consciência para não ignorar a complementariedade dos conhecimentos contemporâneos com a prática de asana, a sensação que tenho é que na história da humanidade, nunca tivemos tanta facilidade para aprofundar nossa consciência corporal como temos atualmente, principalmente pela capacidade de visualizarmos, classificarmos e compreendermos a função de nossa anatomia. Isso é maravilhoso!
O professor B. K. S. Iyengar talvez seja uma das pessoas que mais se dedicou para deixar esse legado, de encontro entre a experiência do asana e os conhecimentos de anatomia, que passaram a ser aprofundados principalmente por especialistas da área de saúde Médicos, Fisioterapeutas e profissionais de Educação Física, nos deixando hoje abordagens e didáticas em constante aperfeiçoamento para um mergulho mais ágil, dinâmico, profundo e principalmente, seguro, já que não são poucos os casos de pessoas que se machucam no Yoga.
Além disso, eu entrei no Yoga para aprofundar minha consciência corporal devido aos excessos com os mais variados esportes, artes marciais e musculação na juventude.
Pretendo assim, incluir com seriedade o mergulho na estrutura ósseo muscular, articulações e músculos que envolvem nosso corpo, utilizando os conhecimentos de anatomia junto a minha experiência no asana.
O corpo humano costuma ser analisado dividindo-o sobre 9 tipos de sistemas, na seguinte ordem das escolas de medicina: ósseo, muscular, digestivo, circulatório, respiratório, urinário, reprodutor, da pele e nervoso.
Cada um desses sistemas sofre influências mais ou menos significativos dependendo de cada técnica que estamos aplicando, sejam asanas, pranayamas, kriyas, mudras e bandhas.
Porém, a parte mais densa, que envolve o sistema ósseo e muscular é no caso dos iniciantes, o ponto de partida. Para iniciar esse mergulho, vale conhecer:
1) A localização e denominação dos ossos e músculos;
2) Introduzir e experienciar conceitos de biomecânica à posturas de equilíbrio;
3) Introduzir e experienciar o conceito dos músculos que fazem a força (agonistas), que agem antagonicamente a força sendo alongados (antagonistas), que realizam ação sinergistas e que estão fixados no ponto de origem do agonista (fixadores) nas técnicas do Yoga;
4) Aplicar o conceito de alavanca, eixo e fixação nas técnicas do Yoga;
Em breve links para esses estudos.
Namastê!
Redespertando com os bandhas
Caros colegas praticantes, essa aula me despertou. Os bandhas são realmente uma chave preciosa. É nítida a nova capacidade de concentração, a ascensão da energia aos olhos, a alegria, o prazer pulsante, o entusiasmo.
Talvez, tenha forçado um pouco além, mas desde que saí da aula não parei de reler meus textos e dar uma boa organizada nos meus posts por pura inspiração. Meu Yogi foi redespertado.
Nessa aula renovei o poder unificador que os bandhas possuem encaixando todas as partes do corpo para os alinhamentos.
Seu poder indubitável de impulsionar a energia.
Suas graduações de controle e ativação.
Como estar bem energeticamente é superior a buscar estar bem apenas fisicamente.
Em outro momento aprofundo o tema, por enquanto, ficam algumas citações da Hatha Yoga Pradipka sobre o tema.
Gratidão a Bruna, Luciana, Rafael, Camila, Gustavo, Clério e Ana e os outros que não pude guardar o nome ainda. Sem a presença de vocês eu não teria essa inspiração. Muito grato!
Citações dos bandhas no Hatha Yoga Pradipka
(III:58)
http://www.yoga.pro.br/artigos.php?YogaId=7f6895404629284ec6cdc3c5755bf703&cod=646&secao=3026 ( Os bandhas no Hatha Yoga)
http://www.yoga.pro.br/artigos.php?cod=565&secao=3026 ( mula bandha)
http://www.yoga.pro.br/artigos.php?cod=78&secao=3035 ( Citação dos bandhas na Hatha Yoga Pradipka Cápítulo 3)
segunda-feira, 7 de junho de 2010
10 dias em silencio
http://eyoga.uol.com.br/scripts/materia/materia_det.asp?idMateria=1203&idCanal=2
Reler esse texto me trouxe a lembrança da importância da disciplina.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
A disciplina da auto observação meditativa diária
( texto escrito na Índia: Abril/2008)
Lembro-me que num intensivo de Yoga que fiz em 2005 me veio o insight de que se eu escovava os dentes 3 vezes por dia porque eu não praticava Yoga todos os dias? A experiencia desses ultimos 30 dias meditando todos os dias, foi mais um reforço desse insight de sabedoria.
Com a prática diária, conforme o estado de meditação foi realmente acontecendo ficava impressionado como depois de um dia agitado por aqui, estava tao longe do melhor de mim quando sentava para meditar no dia seguinte.
Meditar é lembrar da estado de quem realmente somos, dos melhores atributos que existem dentro da gente e estão além da mente. Existe a necessidade de lembrar, porque nem sempre estamos preparados para encarar os desafios do cotidiano nos mantendo no melhor que há em nós e isso se provou mais um vez aqui na Índia.
A prática diária também me ajudou a perceber o que me tirava daquele estado meditativo e com o tempo passei a manter esse estado com mais frequencia no cotidiano. É muito fácil de enxergar uma folha de alface entre os dentes, porém, nem sempre conseguimos perceber o quão distante estamos de quem realmente somos, principalmente porque estamos viciados em comportamentos de uma visão ilusória da felicidade e transformando a determinação e entusiasmo que vem da alma, na obstinação de afirmar uma falsa identidade.
A única solução para nos convencermos da importância da prática diária da meditacao e experimentar seu estado de forma intensiva é com a tecnica que for mais apropriada para nosso tipo de personalidade, por isso existem vários tipos de Yoga e vários tipos de escolas de sabedoria.
Uma outra forma seria termos em nosso quarto um espelho que pudesse mostrar o quão acordamos longe da alma e logo nos preocuparmos em nos ocupar, escovar os nossos dentes e correr para o trabalho, fungindo dessa constatação inicial.
Essa questao da disciplina, fez com que eu repetisse muito a frase aqui" A prática é o esforco para nos manter lá" que me inspirou para uma série de cantos que me vinham em momentos em que a linha tênue se apresentava para mim.
Mais sobre Concentração, Meditação e Desapego
http://yogabodymind.blogspot.com/2010/05/concentracao-e-meditacao.html
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Concentração, Meditação e Desapego
( em breve)
Concentração em sons e mantras
http://yogabodymind.blogspot.com.br/2009/08/mantras.html
Concentração em membros ou regiões do corpo
( em breve)
Concentração em imagens reais ou visualizadas
( em breve)
Concentração em princípios e sutras
( em breve)
Concentração em atributos mixados
( em breve)
A experiencia do estado meditativo
( em breve)
O desapego do ser irreal
( em breve) Extase
terça-feira, 20 de abril de 2010
Evocação com o Gayatri Mantra
EVOCAÇÃO COM
O GAYATRI MANTRA
( 2*edição)
25/07/2022
Oṁ bhūr bhuva svāḥ || tat savitur vareṇyam |
bhargo devasya dhīmahi | dhiyo yo naḥ prachodayāt ||
Tradução
simplificada: Meditando nas semelhanças do sol com nossa consciência suprema,
iluminamos
os obstáculos que nos distanciam da natureza divina. Dos planos mais densos aos sutis.
Tradução secundária:
Que através da interdependente relação entre os planos mais densos e sutis, terra-atmosfera-céu, matéria e espírito, macro e micro cosmos, possamos nos inspirar com os fractais luminosos do sol que tanto contemplamos.
Nessa inspiração, evocarmos nossa consciência mais luminosa.
Afinal, se existe um sol iluminando a Terra existe uma consciência suprema nos
iluminando.
Por fim, com essa consciência, que possamos desidentificarmos
nossa atenção de tudo que nos desvia da nossa natureza divina, dissolvendo as
energias mais condensadas com o poder da constância dessa intenção e a entrega
da nossa natureza.
Aprofundamento da tradução mais
abaixo.
Com o poder propagador das redes sociais. a beleza da evocação dos mantras atravessou fronteiras e um dos mantras mais cantados na tradição filosófica indiana do Vedanta, ganhou força na audiência pública das plataformas, principalmente, na voz de cantores como Chandra Lacombe e Deva Premal.
Por ter origem em um contexto institucional filosófico e numa
língua utilizada apenas em rituais de conexão religiosa; o sânscrito, é natural
que o benefício da massificação venha junto com o desafio da pronúncia, grafia,
tradução e descontextualização.
Nesse texto, separei algumas destaques desses desafios.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Sobre a contextualização, o desafio é que esse mantra é
utilizado na iniciação dos aspirantes ao estudos dos Vedas, filosofia indiana
que demanda décadas ( para não dizer uma vida inteira) de estudo constante e disciplinado
para ser absorvida.
Assim, existe uma perda da força ritualística com sua
massificação, além do desvio da tradição. Imagina alguém que decide se iniciar na
filosofia e já ouviu o mantra com desvios em outros contextos. Ou alguém que faz uma série de disciplinas e preparações e estudos para ouvir e cantar o mantra pela primeira vez e ve alguém cantando errado e de forma dessasciada da intenção correta do mantra.
Só para dar um peso nessa relevância. Os iniciados na
tradição, tem a sugestão de cantar de 1 a 3 vezes ao dia o japamala com 108
repetições desse mantra. A iniciação desses estudos é renovada anualmente e no
dia seguinte, uam vez ao ano, os iniciados cantam 1008 vezes ao invés de 108.
Assim, é importante destacar, que além do rompimento de
barreiras das redes sociais o movimento para minimizar as barreiras entre as
castas na própria Índia vem permitindo o uso do mantra desconectado da
ritualística dessa iniciação, pela simples beleza, benefícios e força dessa evocação.
Se pudermos fazer isso pelo meos com uma pouco de consciência, estudo e respeito a tradição que deu origem ao mantra, fica um pouco mais leve essa licença.
E é nessa licença que abro esse campo aqui, principalmente,
pela vivência pessoal de 7 anos que tive com Chandra Lacombe entoando essa mantra com devoção contagiante e as audições com
a Deva Premal.
PRONÚNCIA
e GRAFIA
Como durante uma boa parte da história, 4 milênios A.C, as
escrituras eram passadas oralmente, parece que dois pequenos detalhes do mantra
se modificaram em relação a sua transmissão original.
- SVAH OU SUVAH OU SVAHA OU SWAHA
Pela pesquisa que realizei, acredito que a palavra original
seja realmente Svah, porém, pela proximidade sonora com Swaha, foi ancorada no
norte da Índia com esse som.
Perceba que existe uma diferença clara nas pronúncias.
Swaha ( Suarrá) é diferente de Svah (Svaa).
Existe também a pronúncia de Svaha que é muito próximo de
Swaha.
Perceba que na grafia da palavra em sânscrito também existem
acentuações características. No caso abaixo, um traço em cima do “a” que indica
o prolonguamento da pronúncia e um ponto em baixo do “h” que pode indicar uma
anulação do som.
svāḥ
TRADUÇÃO
O sânscrito é uma língua que inclui muitas nuances da
ciência vibracional e as vezes utiliza-se de metáforas e associações próximas para
sugerir um direcionamento de atenção na composição dos mantras inspirados em estados de êxtase dos sábios. Porém, suas
palavras possuem traduções precisas. Não aceite de primeira quem foge dessa
precisão. Essa flexibilização só gera mais criativas e bonitas interpretações que
nos distanciam do significado original e do bom senso.
Algumas pessoas abusam das possibilidades de associação de uma
palavra e aí acabam tornando abrangente demais as possibilidades de tradução. Isso
desmotiva as pessoas a darem a devida atenção nessa busca e alimenta uma
liberdade excessiva nas traduções que causam problemas de condução.
Por isso tudo, não é muito fácil encontrar um consenso. Abaixo uma forma de traduzir cada palavra:
Oṁ:
som que evoca o estado de receptividade vazio e
oco da consciência
Bhūr: Campo
mais denso, associado normalmente com o plano terrestre
Bhuva: Campo imaterial, associado com a atmosfera
Svāḥ: Campo espiritual, ou mais macro, associado com
os planos superiores e das galaxias
Tat: um fractal de luz do sol,
Savitur:
O divino na forma do Sol
Vareṇyam: Consciência suprema solar
Bargho: bargha é luz, bargho é o oposto
Devasya: luz brilhante por si mesma
Dhīmahi: Meditemos
Dhiyo yo naḥ: o entendimento atraves da repetiçao para nós
Prachodayāt: pedido para a natural condução para luz
Considerando essa tradução, gosto de direcionar esse mantra para o foco na terceira estrofe.
bhargo devasya dhīmahi
Repita 3 vezes: bhargo devasya dhīmahi bhargo devasya dhīmahi bhargo devasya dhīmahi
Para se integrar com esse mantra comece sua primeira prática focando nessa
estrofe. Ela nos convida para o estado de autopercepção meditativa ( dhimahi)
onde podemos mediar nossa ação e escolher direcionar a luz ( devasya) em nosso
obstáculos, bloqueios, sombras.
Esse é o objetivo desse e de muitos mantras: nos conduzir para um estado mais luminoso de Ser. No caso do Gayatri Mantra, ele oferece ainda dois potencializadores dessa luz em Devasya:
1) O poder da constância na repetição da última estrofe ( Dhyo yo nah)
2) A evocação da consciência solar (Varenyam) pela metáfora do Sol evocada a partir da contemplação dos 3 planos ( Om Bhur Bhuva Svah Tat Savitur Varenyam);
Ou seja, a estrofe 4 serve para somar na luz de Devasya, lembrando que a cada repetição ( Dhyyo yo nah) você prova para si mesmo a força da sua intenção de expandir a luz.
E as duas primeiras estrofes também somam em Devasya, a luz da Consciência Solar inspirada no Espírito do Sol ( Savitur) presente nos três planos.
Aproveite para entoar Prachodayāt de forma entregue. Sua natureza já é divina. Prachodayāt.
TE AGUARDO
Depois me
conta se você conseguiu sentir algo mais potente praticando as informações desse
texto? Ofereço ele para a liberação de mais pessoas e me inspira saber que essa
meta foi alcançada.
Aproveito para compartilhar uma poesia musicada que produzi inspirado nas minhas primeiras experiências com esse mantra.
https://soundcloud.com/essenciais/poesia-para-o-gayatri-mantra (Poesia para o Gayatri)
quarta-feira, 3 de março de 2010
Desenvolva sua prática pessoal
Essa aspiração pelo Yoga torna-se então consciente, conduzindo o praticante de dukha o anseio inconsciente que pode levar a distorções pela busca da felicidade para mumukshutva o anseio consciente que torna a busca objetiva e clara. O buscador passa a saber qual é a sua meta.
Na sequencia o desafio é diante de tantas formas de se conduzir de um estado para outro qual meio escolher. No universo do Yoga no ocidente já escutei Hatha Yoga, Power Yoga, Ioga, Kundalini Yoga, Iyengar Yoga, Tantra Yoga, Bikram Yoga, Swasthya Yoga, Ashtanga Yoga, Vyniasa Yoga, Sattva Yoga, Zen Yoga, Thai-Yoga, Yin Yoga, Shakti Yoga, Karma Yoga, Jnana Yoga, Bakthi Yoga, Mantra Yoga, Dhyana Yoga, Guru Yoga, isso sem contar os nomes de escolas que se associam com essa palavra.
É dizer que não é aparentemente complexo, seria uma forma de omitir uma característica negativa nessa busca pelo Brasil que não seria nada marketeiro. Porém, você que lê esse artigo tem a oportunidade tornar o aparentemente complexo em realmente simples.
Existe tantos tipos de Yoga quanto individualidades humanas que precisam ser transcendidas.
Vamos começar uma prática. Considerando que essa consciencia de diferenciação é o motivo pelo qual a prática surge como vamos expressar isso. Numa simples atitude? Com um discurso ? Com um mantra? De qual tipo? Com qual tempo de entonação?
Iniciando nossa prática corporal, qual preparaçao faremos?
Optando pela Saudação ao Sol como sequencia inicial. Qual tipo de saudação realizaremos? Quantas vezes? Com quais restrições?
Na sequencia ... que tipo de àsanas utilizaremos? Em qual ordem? Se eu jogo o peso do meu corpo mais para um lado do que para outro preciso considerar isso? E minhas dores no joelho e cervical, tem alguma restrição?
Faremos pranayama? Colocamos o relaxamento antes ou depois ?
Faremos concentração?
Talvez possamos encontrar algumas respostas diferentes analisando os estilos de Yoga disponíveis hoje. Mas acima de tudo a semente que deixo aqui é o questionamento. Questione! Realize os asanas abrindo sua inteligência corporal. Desenvolva sua própria prática!
Essa foi uma das principais mensagens do módulo 2 do meu curso de formação e acredito muita na importância dela ser difundida na comunidade do Yoga que não para de crescer.
No próximo Workshop estaremos abordando esse assunto.
Namaste!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Frase: Qual é o melhor tipo de Yoga para sua individualidade?
Atributos do Yoga: Satya
Na minha experiência se manifesta na prática no intervalo entre a inspiração e a exalação, na constante atenção do praticante com sua necessidade de se transformar, na aplicação exata das instruções transmitidas e na diferença entre fazer e estar.
O vídeo abaixo além de muito divertido, inspira a reflexão sobre o desafio de ser íntegro no cotidiano e a importância de alimentarmos esse atributo na nossa prática.
Com vocês Luis Fernando Guimarães em o super sincero:
http://www.youtube.com/watch?v=b1D9TmfWlyQ
Aproveitem de verdade!
Reverência a meta! Heya Jaya! Om namoh!
Namaste!
Murillo
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Os desfiles de escola de samba e o Yoga
Por atuar com projetos de planejamento de comunicação de vez em quando e participar de celebrações ligadas as datas comemorativas aprendi a respeitar o valor de cada data da minha cultura.
Apesar do Yoga ser uma cultura e ter em seu calendário hindu uma sequencia de datas, sigo o calendário brasileiro mesmo, que para mim fortalece a minha compreensão kármica de cidadão.
O Carnaval é uma data muito exaltada pelos brasileiros e atrai a atenção de miutas pessoas em todo o mundo. No universo do Yoga, ousaria dizer que 85% de praticantes comprometidos fogem para as montanhas, porém, até que me convençam do contrário vou continuar sendo parte dos 15% por propósitos que dificilmente serão combatidos.
Primeiro, é importante diferenciar as festas de Carnaval dos Desfiles de Escola de Samba que para onde eu vou há 11 anos. Mas também não tenho nada contra as festas, as vezes é bom expressar um pouco do que se guarda por preceitos morais.
Partilho essa reflexão com o coração cheio de bem querer impulsionado pela quantidade de insights e experiencias de auto conhecimento que tenho durante um desfile de escola de samba. Muitas vezes maior do que dezenas de práticas corporais-meditativas ou dias que tive na Índia.
Calma, não vou sugerir passos de samba em Vriksasana ou a inclusão da cítara na bateria, mas sim expor reflexões que podem acelerar a caminhada de Yogis como eu, através da análise dos Desfiles de Escolas de Samba.
Não seria de se admirar que essa reflexão que partilho já não tivesse sido explorada por buscadores mais antigos da cultura hindu que valorizam nossa cultura brasileira como é caso de Evaldo Bertazzo que dirigiu o espetáculo Swaad que expressa um diálogo entre as duas culturas e a própria escola Pérola Negra que ano passado também teve sua chance de expressar sua interpretação da Índia na mesma época da novela.
Como talvez eu faça parte de um percentual ínfimo de praticantes de Yoga comprometidos, que não abra mão de ver os desfiles de escola de samba há 8 anos, é natural que o caro leitor que lê essas palavras pode estar tentado a algum julgamento separatista, porém, como ano a ano tenho visto os mais xiitas converterem-se a crença através da experiência, acredito que essa leitura possa amolecer esse condicionamento e quem sabe ajudá-lo a enxergar a oportunidade para os próximos desfiles.
Num primeiro momento, podemos começar com a pergunta que meu ateísta fez antes da experiência. O que minha busca pelo nobre estado de valores humanos do Yoga e pela felicidade tem haver com a pornografia e vaidade, a barulheira e letras chulas, o povão do samba e futebol?
Eu digo a mim mesmo:
1) Sobre a pornografia e vaidade: Primeiro digo que a pornografia já é praticamente nula e que vejo muito mais devoção, isvara e abertura para purificação, do que saucha do que vaidade, mesmo ela ainda estando muito presente. Com a transmissão para centenas de países e o movimento turístico que vem gerando, até lei foi baixada para minimizar a pornografia. Estamos saindo do erótico pornô para o sensual discreto ou natural.
Segundo, digo acreditar que os Yogis antigos adorariam ver sua luxúria e vaidade expressas em formas gigantes, porque as vezes elas ficam tão camufladas e reprimidas pela moral dentro da gente, que o trabalho para enxergá-las não é fácil. Quando vemos fora analisando o que temos dentro fica até mais fácil de meditar depois.
2) A barulheira e letras chulas: Bom realmente ainda temos algumas letras chulas principalmente pelos interesses dos respeitosos patrocinadores dessa grande arte, mas a maioria das letras traz metáforas enraizadas nos princípios tradicionais do Yoga que podem facilitar muita mais a compreensão dos mesmos, do que repetí-los secamente em forma de mantras ou sutras. Você já viu o desfile sobre o aqui e agora? E sobre o sanahta dharma e shant da Imperatriz nesse ano? E o de Tapas da Salgueiro em 2006? ... entre tantos outros ...
O conjunto de elementos de comunicação com que é transmitida a mensagem imitam a voz de Deus.
Sobre a barulheira tem duas coisas: Extravazar é uma ótima forma de exercitar satya e poder manifestar coisas que a moral reprimi para nosso bom convívio e podem estar bloqueando nossos caminhos para iluminada felicidade. Além disso, muitas vezes, a barulheira transcende o Ego e suas manifestações, pelo ritmo compassado de um mantra e as vibrações de baterias entusiasmadas.
3) O povão do samba e do futebol: Bom, até respeito essa história de que yogi não deve se misturar com outras "egrégoras", mas o samba nasce da mesma busca de um yogi, porém em cultos de influencia mais afro e muitas das suas letras falam sobre a tal da felicidade que todo ser humano busca.
A essa altura já podemos nos abrir para a contribuição do Carnaval para o auto conhecimento, porém sua mais poderosa relação é sem dúvida a exaltação de mitos, histórias e lendas que só poderiam ser expressadas com a ajuda de fantasias, carros alegóricos e a música.
E assim é quando podemos ver expressões dos deuses indianos em carros alegóricos. Muitas vezes, desprovidas do devido cuidado com a geometria e simbologia do sagrado mas outras vezes, super inspiradores. Esse ano tivemos vários carros com imagens de buda e também de deidades do panteão hinduista.
Já que falamos de festivais, o Mahashivaratri ( Festival em sintonia com o arquétipo e energia de Shiva) caiu muito próximo do Carnaval mais uma vez, o que nos traz uma reflexão importante sobre os calendários e simbologia das festas.
Tenho como princípio, que a natureza é quem cria o ambiente e as vibrações que inspiram a conexão com arquétipos. Segundo uma amiga, a única religião autêntica brasileira que faz isso é a Umbanda que diferente do dia original do arquétipo das emoções na África, faz do dia de Iemanjá dia 2 de Fevereiro no Brasil pelas condições de nosso clima. Os seguidores do xamanismo mais atentos tb realizam suas analogias a partir das mudanças de estação. Será que não precisaríamos adaptar essas datas originalmente hindus, aos ciclos de nossa natureza para sermos yogis-brazucas?
Assim, nada impede de termos um desfile da Escolas de Samba dos Yogis, com carros alegóricos erguendo os sutras de Patanjali ou as deidades hindus como já acontece na Índia nos festivais de Ganesha, por exemplo. Como um dos meus professores que me abriu os olhos para a caminhada com o Yoga, Sachcha Prem Baba, se iluminou em um Maha Shivaratri não seria de se admirar que muitos se iluminassem num desfile do Yoga no Brasil.
No mínimo mais didático do que a voz de um instrutor não iluminado como eu, tentando transmitir um conceito apenas com a voz e algumas brincadeiras.
Om tat sat
Abraço,
Murillo
