O PROPÓSITO DAS DATAS
Por atuar com projetos de planejamento de comunicação de vez em quando e participar de celebrações ligadas as datas comemorativas aprendi a respeitar o valor de cada data da minha cultura.
Apesar do Yoga ser uma cultura e ter em seu calendário hindu uma sequencia de datas, sigo o calendário brasileiro mesmo, que para mim fortalece a minha compreensão kármica de cidadão.
O Carnaval é uma data muito exaltada pelos brasileiros e atrai a atenção de miutas pessoas em todo o mundo. No universo do Yoga, ousaria dizer que 85% de praticantes comprometidos fogem para as montanhas, porém, até que me convençam do contrário vou continuar sendo parte dos 15% por propósitos que dificilmente serão combatidos.
Primeiro, é importante diferenciar as festas de Carnaval dos Desfiles de Escola de Samba que para onde eu vou há 11 anos. Mas também não tenho nada contra as festas, as vezes é bom expressar um pouco do que se guarda por preceitos morais.
Partilho essa reflexão com o coração cheio de bem querer impulsionado pela quantidade de insights e experiencias de auto conhecimento que tenho durante um desfile de escola de samba. Muitas vezes maior do que dezenas de práticas corporais-meditativas ou dias que tive na Índia.
Calma, não vou sugerir passos de samba em Vriksasana ou a inclusão da cítara na bateria, mas sim expor reflexões que podem acelerar a caminhada de Yogis como eu, através da análise dos Desfiles de Escolas de Samba.
Não seria de se admirar que essa reflexão que partilho já não tivesse sido explorada por buscadores mais antigos da cultura hindu que valorizam nossa cultura brasileira como é caso de Evaldo Bertazzo que dirigiu o espetáculo Swaad que expressa um diálogo entre as duas culturas e a própria escola Pérola Negra que ano passado também teve sua chance de expressar sua interpretação da Índia na mesma época da novela.
Como talvez eu faça parte de um percentual ínfimo de praticantes de Yoga comprometidos, que não abra mão de ver os desfiles de escola de samba há 8 anos, é natural que o caro leitor que lê essas palavras pode estar tentado a algum julgamento separatista, porém, como ano a ano tenho visto os mais xiitas converterem-se a crença através da experiência, acredito que essa leitura possa amolecer esse condicionamento e quem sabe ajudá-lo a enxergar a oportunidade para os próximos desfiles.
Num primeiro momento, podemos começar com a pergunta que meu ateísta fez antes da experiência. O que minha busca pelo nobre estado de valores humanos do Yoga e pela felicidade tem haver com a pornografia e vaidade, a barulheira e letras chulas, o povão do samba e futebol?
Eu digo a mim mesmo:
1) Sobre a pornografia e vaidade: Primeiro digo que a pornografia já é praticamente nula e que vejo muito mais devoção, isvara e abertura para purificação, do que saucha do que vaidade, mesmo ela ainda estando muito presente. Com a transmissão para centenas de países e o movimento turístico que vem gerando, até lei foi baixada para minimizar a pornografia. Estamos saindo do erótico pornô para o sensual discreto ou natural.
Segundo, digo acreditar que os Yogis antigos adorariam ver sua luxúria e vaidade expressas em formas gigantes, porque as vezes elas ficam tão camufladas e reprimidas pela moral dentro da gente, que o trabalho para enxergá-las não é fácil. Quando vemos fora analisando o que temos dentro fica até mais fácil de meditar depois.
2) A barulheira e letras chulas: Bom realmente ainda temos algumas letras chulas principalmente pelos interesses dos respeitosos patrocinadores dessa grande arte, mas a maioria das letras traz metáforas enraizadas nos princípios tradicionais do Yoga que podem facilitar muita mais a compreensão dos mesmos, do que repetí-los secamente em forma de mantras ou sutras. Você já viu o desfile sobre o aqui e agora? E sobre o sanahta dharma e shant da Imperatriz nesse ano? E o de Tapas da Salgueiro em 2006? ... entre tantos outros ...
O conjunto de elementos de comunicação com que é transmitida a mensagem imitam a voz de Deus.
Sobre a barulheira tem duas coisas: Extravazar é uma ótima forma de exercitar satya e poder manifestar coisas que a moral reprimi para nosso bom convívio e podem estar bloqueando nossos caminhos para iluminada felicidade. Além disso, muitas vezes, a barulheira transcende o Ego e suas manifestações, pelo ritmo compassado de um mantra e as vibrações de baterias entusiasmadas.
3) O povão do samba e do futebol: Bom, até respeito essa história de que yogi não deve se misturar com outras "egrégoras", mas o samba nasce da mesma busca de um yogi, porém em cultos de influencia mais afro e muitas das suas letras falam sobre a tal da felicidade que todo ser humano busca.
A essa altura já podemos nos abrir para a contribuição do Carnaval para o auto conhecimento, porém sua mais poderosa relação é sem dúvida a exaltação de mitos, histórias e lendas que só poderiam ser expressadas com a ajuda de fantasias, carros alegóricos e a música.
E assim é quando podemos ver expressões dos deuses indianos em carros alegóricos. Muitas vezes, desprovidas do devido cuidado com a geometria e simbologia do sagrado mas outras vezes, super inspiradores. Esse ano tivemos vários carros com imagens de buda e também de deidades do panteão hinduista.
Já que falamos de festivais, o Mahashivaratri ( Festival em sintonia com o arquétipo e energia de Shiva) caiu muito próximo do Carnaval mais uma vez, o que nos traz uma reflexão importante sobre os calendários e simbologia das festas.
Tenho como princípio, que a natureza é quem cria o ambiente e as vibrações que inspiram a conexão com arquétipos. Segundo uma amiga, a única religião autêntica brasileira que faz isso é a Umbanda que diferente do dia original do arquétipo das emoções na África, faz do dia de Iemanjá dia 2 de Fevereiro no Brasil pelas condições de nosso clima. Os seguidores do xamanismo mais atentos tb realizam suas analogias a partir das mudanças de estação. Será que não precisaríamos adaptar essas datas originalmente hindus, aos ciclos de nossa natureza para sermos yogis-brazucas?
Assim, nada impede de termos um desfile da Escolas de Samba dos Yogis, com carros alegóricos erguendo os sutras de Patanjali ou as deidades hindus como já acontece na Índia nos festivais de Ganesha, por exemplo. Como um dos meus professores que me abriu os olhos para a caminhada com o Yoga, Sachcha Prem Baba, se iluminou em um Maha Shivaratri não seria de se admirar que muitos se iluminassem num desfile do Yoga no Brasil.
No mínimo mais didático do que a voz de um instrutor não iluminado como eu, tentando transmitir um conceito apenas com a voz e algumas brincadeiras.
Om tat sat
Abraço,
Murillo
Por atuar com projetos de planejamento de comunicação de vez em quando e participar de celebrações ligadas as datas comemorativas aprendi a respeitar o valor de cada data da minha cultura.
Apesar do Yoga ser uma cultura e ter em seu calendário hindu uma sequencia de datas, sigo o calendário brasileiro mesmo, que para mim fortalece a minha compreensão kármica de cidadão.
O Carnaval é uma data muito exaltada pelos brasileiros e atrai a atenção de miutas pessoas em todo o mundo. No universo do Yoga, ousaria dizer que 85% de praticantes comprometidos fogem para as montanhas, porém, até que me convençam do contrário vou continuar sendo parte dos 15% por propósitos que dificilmente serão combatidos.
Primeiro, é importante diferenciar as festas de Carnaval dos Desfiles de Escola de Samba que para onde eu vou há 11 anos. Mas também não tenho nada contra as festas, as vezes é bom expressar um pouco do que se guarda por preceitos morais.
Partilho essa reflexão com o coração cheio de bem querer impulsionado pela quantidade de insights e experiencias de auto conhecimento que tenho durante um desfile de escola de samba. Muitas vezes maior do que dezenas de práticas corporais-meditativas ou dias que tive na Índia.
Calma, não vou sugerir passos de samba em Vriksasana ou a inclusão da cítara na bateria, mas sim expor reflexões que podem acelerar a caminhada de Yogis como eu, através da análise dos Desfiles de Escolas de Samba.
Não seria de se admirar que essa reflexão que partilho já não tivesse sido explorada por buscadores mais antigos da cultura hindu que valorizam nossa cultura brasileira como é caso de Evaldo Bertazzo que dirigiu o espetáculo Swaad que expressa um diálogo entre as duas culturas e a própria escola Pérola Negra que ano passado também teve sua chance de expressar sua interpretação da Índia na mesma época da novela.
Como talvez eu faça parte de um percentual ínfimo de praticantes de Yoga comprometidos, que não abra mão de ver os desfiles de escola de samba há 8 anos, é natural que o caro leitor que lê essas palavras pode estar tentado a algum julgamento separatista, porém, como ano a ano tenho visto os mais xiitas converterem-se a crença através da experiência, acredito que essa leitura possa amolecer esse condicionamento e quem sabe ajudá-lo a enxergar a oportunidade para os próximos desfiles.
Num primeiro momento, podemos começar com a pergunta que meu ateísta fez antes da experiência. O que minha busca pelo nobre estado de valores humanos do Yoga e pela felicidade tem haver com a pornografia e vaidade, a barulheira e letras chulas, o povão do samba e futebol?
Eu digo a mim mesmo:
1) Sobre a pornografia e vaidade: Primeiro digo que a pornografia já é praticamente nula e que vejo muito mais devoção, isvara e abertura para purificação, do que saucha do que vaidade, mesmo ela ainda estando muito presente. Com a transmissão para centenas de países e o movimento turístico que vem gerando, até lei foi baixada para minimizar a pornografia. Estamos saindo do erótico pornô para o sensual discreto ou natural.
Segundo, digo acreditar que os Yogis antigos adorariam ver sua luxúria e vaidade expressas em formas gigantes, porque as vezes elas ficam tão camufladas e reprimidas pela moral dentro da gente, que o trabalho para enxergá-las não é fácil. Quando vemos fora analisando o que temos dentro fica até mais fácil de meditar depois.
2) A barulheira e letras chulas: Bom realmente ainda temos algumas letras chulas principalmente pelos interesses dos respeitosos patrocinadores dessa grande arte, mas a maioria das letras traz metáforas enraizadas nos princípios tradicionais do Yoga que podem facilitar muita mais a compreensão dos mesmos, do que repetí-los secamente em forma de mantras ou sutras. Você já viu o desfile sobre o aqui e agora? E sobre o sanahta dharma e shant da Imperatriz nesse ano? E o de Tapas da Salgueiro em 2006? ... entre tantos outros ...
O conjunto de elementos de comunicação com que é transmitida a mensagem imitam a voz de Deus.
Sobre a barulheira tem duas coisas: Extravazar é uma ótima forma de exercitar satya e poder manifestar coisas que a moral reprimi para nosso bom convívio e podem estar bloqueando nossos caminhos para iluminada felicidade. Além disso, muitas vezes, a barulheira transcende o Ego e suas manifestações, pelo ritmo compassado de um mantra e as vibrações de baterias entusiasmadas.
3) O povão do samba e do futebol: Bom, até respeito essa história de que yogi não deve se misturar com outras "egrégoras", mas o samba nasce da mesma busca de um yogi, porém em cultos de influencia mais afro e muitas das suas letras falam sobre a tal da felicidade que todo ser humano busca.
A essa altura já podemos nos abrir para a contribuição do Carnaval para o auto conhecimento, porém sua mais poderosa relação é sem dúvida a exaltação de mitos, histórias e lendas que só poderiam ser expressadas com a ajuda de fantasias, carros alegóricos e a música.
E assim é quando podemos ver expressões dos deuses indianos em carros alegóricos. Muitas vezes, desprovidas do devido cuidado com a geometria e simbologia do sagrado mas outras vezes, super inspiradores. Esse ano tivemos vários carros com imagens de buda e também de deidades do panteão hinduista.
Já que falamos de festivais, o Mahashivaratri ( Festival em sintonia com o arquétipo e energia de Shiva) caiu muito próximo do Carnaval mais uma vez, o que nos traz uma reflexão importante sobre os calendários e simbologia das festas.
Tenho como princípio, que a natureza é quem cria o ambiente e as vibrações que inspiram a conexão com arquétipos. Segundo uma amiga, a única religião autêntica brasileira que faz isso é a Umbanda que diferente do dia original do arquétipo das emoções na África, faz do dia de Iemanjá dia 2 de Fevereiro no Brasil pelas condições de nosso clima. Os seguidores do xamanismo mais atentos tb realizam suas analogias a partir das mudanças de estação. Será que não precisaríamos adaptar essas datas originalmente hindus, aos ciclos de nossa natureza para sermos yogis-brazucas?
Assim, nada impede de termos um desfile da Escolas de Samba dos Yogis, com carros alegóricos erguendo os sutras de Patanjali ou as deidades hindus como já acontece na Índia nos festivais de Ganesha, por exemplo. Como um dos meus professores que me abriu os olhos para a caminhada com o Yoga, Sachcha Prem Baba, se iluminou em um Maha Shivaratri não seria de se admirar que muitos se iluminassem num desfile do Yoga no Brasil.
No mínimo mais didático do que a voz de um instrutor não iluminado como eu, tentando transmitir um conceito apenas com a voz e algumas brincadeiras.
Om tat sat
Abraço,
Murillo
Murilo, tenho lido quase sempre os textos do seu blog. Quando tenho tempo com atenção o suficiente para respeitar o conteúdo, claro (ou seja, ler por ler, nem pensar). O seu texto tem uma luz muito gostosa, vibrante e que irradia o yoga. Para os inexperientes como eu, é um prazer enooooooorme poder receber as suas reflexões. Essa por exemplo, foi muito especial. Saudades de você e de suas aulas, Veronica Miranda
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